Cidade dormitório

Na porta do fliperama

dorme o menino de rua,

a vida não é brincadeira.

 

Na porta da floricultura

dorme a velha sem casa,

a vida não é o mar de rosas.

 

Na porta da confeitaria

dorme a menina doente,

a vida não é doce.

 

Na porta da igreja vazia

dorme o jovem drogado,

a vida não é um milagre.

 

Na porta do restaurante

dorme o velho faminto,

a vida não é sopa.

 

Na porta da Santa Casa

dorme o mendigo bêbado,

a vida não é uma festa.

 

Na porta da loja de noivas,

dorme a moça solteira,

a vida não é um sonho.

 

Na porta da fábrica de carros

dorme o desempregado,

a vida não tem direção.

 

Na porta do cemitério

dorme o guarda-noturno,

a vida é parceira da morte.

Este post tem 4 comentários

  1. Eliza Peixto

    Muito legal o comentário sobre o Vandré. Faz tempo que não ouvia falar dele, cuja música foi a trilha sonora de boa parte da minha (e de muita gente) juventude.
    Abraços,

  2. Pedro Paulo Cava

    E nas portas dos teatros vazios,

    Dormem os fantasmas do público.

    A vida, meu caro, foi apenas um ato.

    Belo poema e belo texto sobre o Vandré.

    Abs. PP

  3. Jorge:

    Copiei o poema, porque adorei. Você disse o que a gente não quer ouvir, mas viver é preciso! Ou será navegar?

    Abraço,

    Cristina

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