Crise musical

Há algum tempo venho observando a decadência musical brasileira. Decadência não no modo de fazer boa música (pois tem muita gente de valor na estrada), mas na quantidade de porcaria que a maioria das pessoas ouve - e obriga os outros a escutarem. Esse é o resultado da falta de educação musical nas escolas…

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Mineiro bom de briga

Meu compadre Juventino é do tipo que dá um boi pra não entrar numa briga e uma boiada pra não sair. Sua última aventura foi parar até na Internet. Dia desses, vindo de uma pescaria lá pelos lados de Pirapora, no Norte de Minas, ele foi ultrapassado por uma BMW vermelha, que de tão…

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Espírito de Natal

Os crédulos e inocentes que me perdoem, mas Natal é a coisa mais chata do mundo. Não fosse pela singeleza do presépio atribuído a São Francisco de Assis, a data poderia ser descartada do calendário ou simplesmente passar em branco. Em primeiro lugar, trata-se da adaptação de antigas tradições pagãs aos ritos católicos. Em segundo,…

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Nos braços da viola

A música brasileira sempre fez parte da minha vida, desde a infância em Venda Nova, quando meu avô paterno tocava violão e ouvia discos em sua radiola. O móvel feito pelo meu pai em modelo Luís XV está hoje no meu quarto, servindo de sapateira. Muitos daqueles vinis que tocavam na tal radiola fazem…

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O pesadelo do telemarketing

Virou pesadelo. O telemarketing não nos dá sossego. O telefone fixo toca a toda hora, inclusive fora de hora. A gente corre para atender pensando que é urgente. É o corretor de seguros tentando nos vender uma apólice. Outra chamada. É a moça de voz sensual oferecendo cartão de crédito, assinatura de TV a cabo ou uma…

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Palavras e palavrões

Quem nasceu primeiro, a palavra ou o palavrão? Os linguistas de plantão certamente acreditam que foi a palavra, mas há controvérsia. Afinal, quanto maior a fúria ou o perigo que enfrentam na natureza, mais os bichos produzem sons esquisitos com a boca. Em tais circunstâncias, o cão rosna, o leão ruge e o macaco emite aqueles grunhidos que…

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Ladrões de cemitério

Nesses tempos nada amistosos em que os bandidos não respeitam nem mesmo os freqüentadores de velórios nos cemitérios da cidade, meu compadre Juventino teve que se valer literalmente da presença de espírito para escapar de uma esparrela. Ele havia recebido a notícia da morte do Alencar, codinome Peixoto, velho companheiro dos tempos de militância…

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Maratona de candidato

Vida de candidato não é sopa. Quem vê esses ilustres senhores sorrindo nos postes nem imagina o quanto eles padecem. A começar pela dor de consciência ao contemplar o próprio sorriso largo e franco. Afinal, eles riem do quê? Para quem não sabe, campanha eleitoral é uma verdadeira maratona para os candidatos. Haja sapato…

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País do passado

Eu sou do tempo em que juiz ladrão era personagem de futebol de várzea e cartola era chapéu de bacana ou nome de sambista genial. Craque era só um sujeito bom de bola e bala perdida, chicletes ou drops de hortelã. Naquele tempo, os rapazes convidavam as moças pra sair e não pra ficar. Camisinha era uma peça…

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O dia em que não conheci Drummond

Certa vez - e lá se vão mais de duas décadas - eu estava passeando no Rio de Janeiro quando João Felício dos Santos, o grande autor de Xica da Silva, convidou-me para comparecer a uma reunião na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Na verdade, ele queria me apresentar a Carlos Drummond de…

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