No país da ignomínia

Dizer que os políticos são corruptos seria injusto. Afinal, deve existir entre eles pelo menos meia dúzia que não se enquadre nessa classificação, o que já seria suficiente para negar a unanimidade do termo. No entanto, além de corruptos, a maioria deles deu agora para rir dos eleitores. E só não cospem na nossa cara porque raramente nos têm pela frente. Lembram que existimos apenas durante as eleições, quando precisam do nosso voto para legitimar a suruba a que chamam de democracia.
Além de tolos, somos cúmplices de tudo o que tem acontecido no país. Graças à força da mídia e à péssima qualidade da educação pública, fomos reduzidos à mera condição de espectadores do circo de horrores, anestesiados diante da ignomínia.
Não bastasse Lula-lá e os 40 que estão sendo julgados em instância superior devido ao escândalo do mensalão, Renan Calheiros conseguiu se manter no poder, apesar de todas as evidências que tinha contra si. E isso ocorreu graças à omissão dos petistas comandados pelo senador Mercadante, aquele que mercantiliza com os interesses nacionais em nome de uma falsa ideologia que só pode mesmo sobreviver num país de analfabetos e mistificadores políticos.
Fosse o Brasil um país sério, no qual a cidadania não se omitisse tanto diante do absurdo das circunstâncias, o espetáculo desse 12 de setembro teria sepultado a farsa republicana. República esta que, todo mundo sabe, surgiu de um golpe de estado orquestrado pelos donos do poder, usineiros e latifundiários que aderiram ao movimento republicano para derrubar o imperador que, um ano antes, havia encorajado a filha a assinar a Lei Áurea. Com o episódio Renan, parece emblemático que o primeiro presidente do Brasil tenha sido justamente um marechal alagoano.
É preciso encontrar um novo modelo político para o Brasil. Um modelo que nos permita maior autonomia enquanto cidadãos. Afinal, enquanto os políticos riem da nossa cara, o mundo se espanta com nossa imensurável passividade. Temos uma terra maravilhosa, praia, sol, samba e futebol. No entanto, incendiamos nossas matas, jogamos esgoto no mar, importamos funk dos Estados Unidos e exportamos nossos melhores craques para a Europa.
Tom Jobim, o maestro soberano, dizia durante a ditadura militar que a saída do Brasil era o Aeroporto do Galeão, que por ironia do destino acabou sendo rebatizado com o nome dele. Com a vergonhosa crise da aviação nacional até mesmo essa opção parece arriscada. A não ser, naturalmente, que consigamos penetrar como clandestinos no aerolula, que percorre os espaço aéreos internacionais como a Interprice da vergonha tupiniquim. Aí, sim, seria possível relaxar e gozar tanto quanto eles nos gozam.

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