Literatura em foco

Escritores e amantes de literatura não podem deixar de visitar o site www.tirodeletra.com.br, editado por José Domingos de Brito. Trata-se de um endereço muito útil para aqueles que procuram informações sobre autores e livros, além de ensaios e textos ainda inéditos em papel. Desde minha primeira visita ao referido sítio, não só tenho recomendado como também colaborado com Zé Domingos, disponibilizando artigos de minha autoria. Essa é uma das vantagens da internet frente aos outros veículos de comunicação: possibilitar contatos entre pessoas que gostam das mesmas coisas sem intermediários.

Extremamente gentil, Zé Domingos acaba de me enviar a coleção Mistérios da Criação Literária, cinco volumes de sua autoria publicados pela editora Novera com patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, por meio do PAC – Programa de Ação Cultural. Os livros foram a semente do site (ou vice-versa) e apresentam autores de diferentes gerações e países versando sobre temas variados. Trata-se, portanto, de uma obra de referência e especulação que busca responder perguntas fundamentais aos escritores: Por que escrevo? (volume 1) e Como escrevo? (volume 2). Os outros três livros tratam das relações da literatura com o jornalismo (volume 3), o cinema (volume 4) e a política (volume 5).

Ao contrário de teorizar sobre obras alheias, como faz a maioria dos críticos, professores, teóricos e estudiosos de literatura em todo o mundo, o autor dá voz aos próprios escritores e permite que os leitores saibam as razões de cada um, seguindo sempre a ordem alfabética. Além dos textos dos autores, os livros apresentam suas respectivas biografias, destacando suas obras mais importantes. Os prefácios são assinados por Fábio Lucas, um dos críticos mais importantes da moderna literatura brasileira. Também opinam autores como Daniel Piza, Moacyr Scliar, Bernardo Ajzenberg, Ignácio de Loyola Brandão,  Carlos Heitor Cony, Sérgio Vilas Boas e outros, o que atesta a seriedade da coleção.

Do volume sobre Literatura e Jornalismo, no qual eu consto em excelentes companhias, faço questão de destacar o depoimento póstumo do “papa” Ernest Hemingway, um dos mestres do texto do século passado que tanto influenciou jornalistas e escritores em todo o mundo:

“No Kansas City Star se era forçado a aprender a escrever sentenças informativas simples. Isso é útil para qualquer um. O trabalho jornalístico não prejudica o jovem escritor e pode até vir a ajudá-lo se ele cair fora a tempo. Esse é um dos clichês mais velhos que conheço e peço desculpas por isso. Mas quando se fazem as velhas perguntas de sempre, deve-se estar preparado para receber as velhas resposatas de sempre… O jornalismo, depois de um certo ponto, pode vir a se tornar uma autodestruição diária para um escritor sério e criativo”.

Essa opinião foi recolhida no livro Os Escritores, 2 – as históricas entrevistas da Paris Review, publicado no Brasil em 1989 pela Companhia das Letras. Fiz questão de destacá-la por dois motivos. Em primeiro lugar porque trata-se de um dos autores que mais influenciaram minha escrita jornalística e literária. Em segundo, porque acabo de deixar o jornal Estado de Minas, depois de quase 20 anos de contrato trabalhando como articulista, cronista, repórter e editor de suplementos, inclusive de cultura. Vi muitos futuros bons escritores serem abortados pela rotina massacrante da redação. Embora deva muito ao jornalismo e pretenda continuar jornalista, ainda que esporadicamente, quero me dedicar cada vez mais à literatura, atividade à qual devotei minha vida. Sempre digo que “sou jornalista por profissão, escritor por vocação e compositor por devoção”. Se tiver que ser lembrado, gostaria que fosse pelos livros que escrevi e pelas canções que compus, pois o gênero humano só se aproxima de Deus no exercício sublime da arte.

Anauê pra todos!

 

  

Este post tem um comentário

  1. Salve Grande Jorge!

    Gratíssimo pela divulgação do nosso site, e pelas palavras elogiosas referentes minha pessoa.

    Brito

Deixe um comentário