Um esquema de corrupção montado na Prefeitura de Belo Horizonte resulta numa queima de arquivo e no assassinato moral do denunciante. Quase 20 anos depois, um vingador misterioso faz justiça com as próprias mãos, tirando o sono das autoridades e dividindo a opinião pública. Enquanto a pilha de cadáveres aumenta, o inspetor Júlio Gouveia, da Divisão de Homicídios do DHPP, comanda a força-tarefa encarregada de desvendar o mistério.
Esse é enredo do meu novo livro, o romance policial O anjo das quintas-feiras, que pretendo lançar em meados de abril. Viabilizada pela editora Litteralux, de Guaratinguetá, a edição acaba de ser finalizada e está a caminho da gráfica – ou do prelo, como dizíamos antigamente. Com revisão de Augusto Carlos Duarte e capa de Élen Márcia de Souza, trata-se de uma obra de ficção, cujas coincidências com a resenha política dos nossos dias não terão sido acidentais.
Inspirado nos escândalos do Mensalão e do Petrolão, comecei a trabalhar nesse livro em 2014, enquanto finalizava a biografia Vandré – o homem que disse não, publicada pela Geração Editorial (que há mais de dois anos não me paga direitos autorais e cujo editor se recusa a rescindir o contrato). Como todos sabem, a desonestidade não se restringe ao lamaçal político que nos cerca.
Voltando ao novo livro, mesmo rabiscando outros originais ou publicando obras em diferentes gêneros nos últimos 12 anos, sempre voltava a ele – para corrigir, cortar e acrescentar detalhes que foram contribuindo (espero!) para melhorar o texto. Até concluir a história, a obra que mais tinha me tomado tempo foi o romance Sumidouro das almas, que levou oito anos para ficar pronto e cuja segunda edição agoniza no estoque da Saraiva – hoje pertencente ao Grupo Somos.
Modéstia às favas
Tenho comigo a ideia de que os livros só ficam prontos de verdade depois que o autor bate as botas. Por isso, quem se der ao trabalho de cotejar novas edições ou reimpressões daqueles que publiquei nos últimos 40 anos, há de notar pequenas modificações perpetradas ao longo do tempo – em busca da perfeição e para horror dos editores, modéstia às favas.
Convém lembrar que sou da época em que publicar livros era um sonho quase impossível para aqueles que almejavam a carreira literária. Hoje, com as facilidades tecnológicas ao alcance das mãos e do bolso, qualquer pessoa pode se aventurar no ramo editorial. O resultado disso é a avalanche de livros anunciada quase diariamente nas redes sociais. Se na quantidade surge a qualidade, creio que tem muita coisa boa por aí à espera de ser garimpada.
Mas o fato é que temos autores demais e leitores de menos, e o número de editoras suplanta o de livrarias. Estas, aliás, tornam-se cada vez mais raras ou obsoletas devido a uma série de fatores. A começar pela triste constatação de que as pessoas leem cada vez menos, principalmente em decorrência do uso excessivo dos meios eletrônicos e da péssima qualidade do ensino básico no país.
Apesar de tudo, sigo escrevendo quase todos os dias. Devido ao adiantado da hora, não me resta tempo para mudar de ramo. Apesar das dificuldades, nada tenho a reclamar. Alguns dos meus livros continuam sendo reimpressos e outros, embora fora de catálogo, me deram alegria por terem sido editados. Embora o dinheiro possa comprar até mesmo um juiz para chamar de seu (Daniel Vorcaro que o diga!), escrever é um vício arriscadamente solitário e solidário, e só quem escreve sabe disso.
O assunto dá pano pra manga. Curiosa
Eita Jorge ,você é muito inspirado meu irmão,é uma cultura viva e ativa.Voce nao para! Bendito seja.Parabens pelo novo e mais um livro que virá.Continue a florescer!..
Que venha o mês de abril para mais um lançamento. Parabéns mais uma vez pelo sucesso dos seus livros.
Estamos aguardando o livro ! Com certeza nos ajudará a entender melhor os acontecimentos da nossa história sempre ligada à queima de arquivos e relações políticas vergonhosas.
Com certeza vem aí mais uma maravilhosa obra para aumentar o meu vício…
Vandré – o homem que disse não, publicada pela Geração Editorial (que há mais de dois anos não me paga direitos autorais e cujo editor se recusa a rescindir o contrato)
cara,
se teu livro tiver a mesma frontalidade, e objetividade, que a frase acima tem, podes crer, amigão, que será uma obra-prima!
No aguardo.
Como sempre nadando e vencendo a maré.
Estamos no aguardo.
O assunto, como você adiantou, está atualizado e a realidade tem superado até a literatura.
Abraço.
Um dos melhores livros reunindo suspense, mistério e trama policial que li (e sinto-me honrado e agradecido pela confiança) nas últimas mais de seis décadas! E não há um pingo de exagero no que por mim foi escrito acima.
Quando se pensa estar no caminho certo, um fato novo dá outro rumo aos acontecimentos. Ou seja: uma trama nada óbvia e nada linear, como convém sê-lo os bons romances. E com a vantagem que o estilo é “cinematográfico”: não tem como o leitor ficar passivo ante ao que se descortina a cada parágrafo e página!
Que venha abril! E parabéns, Jorge Fernando! O tempo no qual a obra foi lapidada culminou numa joia literária!
Você é suspeito, por ser cúmplice. Kkk
Eu nao poderei deixar de cultivar a boa leitura . Tenho todos os livros desse nosso grande autor e tambem compositor jorge Fernando dos Santos, que foi meu diretor roteirista do show Com licença, vou a bossa.
Seus livros vem sempre recheados de criticas embutidas nas histórias!
Desejo sucesso sempre!!!
Ler Jorge Fernando é um dos prazeres literários que cultivo. Desde quando o conheci, em Guanhães, fico à espera de boas surpresas. Ave, Jorge!