
Notícia publicada no jornal O Tempo informa que Belo Horizonte é a terceira cidade no ranking dos municípios mais felizes do Brasil, atrás de São Paulo e Curitiba. A constatação é da pesquisa “Health City Index”, realizada pelo Instituto para a Qualidade de Vida em parceria com o Happy City Hub. Comentei no Instagram que, na verdade, BH parece abandonada – e obtive quase 400 curtidas.
Fato é que a capital mineira tem hoje uma das piores administrações de sua História. Quem circula do Centro aos bairros de periferia constata sujeira e pichações pra todo lado, fios de telefonia despencando dos postes, lotes vagos cheios de lixo e entulhos, trânsito confuso, transporte coletivo deficitário, ruas esburacadas ou com asfalto desnivelado, calçadas irregulares, moradores de rua ocupando praças e passeios públicos, aumento da violência e falta de policiamento ostensivo.
Mesmo a outrora decantada Savassi encontra-se numa situação quase dramática. Em alguns pontos do bairro, depois de certa hora, dá medo caminhar em algumas de suas ruas. A estátua de Roberto Drummond, que tive o prazer de reinaugurar a convite do gabinete de Fuad Nonam, foi derrubada por vândalos às vésperas do Natal passado e até hoje não foi recolocada no lugar.
Nos meus 70 anos de vida e de residência na cidade, testemunhei o trabalho de prefeitos realmente empenhados. Lembro-me das administrações de Maurício Campos, Patrus Ananias, Eduardo Azeredo e Célio de Castro, que, independentemente de partidos e ideologias, conseguiram fazer a diferença. No entanto, nos últimos anos, a coisa tem piorado a olhos vistos.
Dívidas e problemas
Desde a Copa do Mundo de 2014, na administração de Márcio Lacerda, BH vem acumulando dívidas e problemas que parecem insolúveis. Eleito como vice de Fuad há dois anos, Álvaro Damião caiu de paraquedas no cargo de prefeito, e hoje se mostra mais perdido que cego em tiroteio.
Empenhado em liberar o uso de patinetes sem a devida regulamentação, em instalar radares e financiar o Carnaval e a navegação na Pampulha, o atual burgomestre acaba de anunciar cortes de verba para a saúde, bem como a redução dos serviços prestados pelo SAMU. A coisa vai mal também na educação, motivo da greve de professores da rede municipal de ensino.
Não sei quais os critérios da pesquisa “Health City Index”, mas temo que a tal felicidade do belo-horizontino possa ser enganosa, ou mesmo efêmera. Mais que festas e shows populares, para os quais são contratados músicos de fora a peso de ouro, precisamos urgentemente cuidar da cidade. E também concluir obras intermináveis, como as da Praça do Papa e da Avenida Cristiano Machado.
Cadê a anunciada reforma do Anel Rodoviário, que resolveriam boa parte dos problemas de trânsito no município? Cadê a Câmara de Vereadores, que parece resumir suas atividades à distribuição de títulos de cidadania? Vale também perguntar por que diabos alguns moradores jogam tanto lixo nas ruas da cidade, mesmo em dias de coleta.
Num ano de eleições em níveis estadual e federal, quando esquerda e direita prometem se engalfinhar mais do que nunca na disputa dos poderes republicanos, não podemos ignorar os dramas locais. Falo isso com a autoridade de nativo e morador que ama a cidade, retratada em metade dos mais de 50 livros que publiquei. BH precisa ser bem cuidada, fazendo valer a magia do seu nome e o IPTU que nos é cobrado todos os anos.
Prezado Jorge,seu belo texto é fantástico.Ele já embute,comentários,informações,criticas.Nem há necessidade que eu o
comente.Tá pronto!É um artigo que conscientiza e elucida muito a população…Eu procuro uma lixeira aonde tiver, se não achar retenho o lixo até desfazer.
até achar.
Concordo, de fato estão ocorrendo esses descasos.
Prezado Jorge,
Creio que o fato de os moradores de BH se considerarem felizes traduz a falta de se compararem caso residissem em outras cidades, ou então, ainda preservam uma memória afetiva de uma BH aconchegante que não existe mais.
A qualidade de vida em BH caiu assustadoramente. Na Savassi, só restou o nome da tradicional padaria. As empresas abandonaram o Hipercentro de BH, que está tomado por uma população irreconhecível. As casas bancárias fugiram do hipercentro e seus prédios com rica arquitetura estão condenados a se tornarem moradias de interesse social.
Historicamente, BH nunca produziu pobreza, mas de um tempo para cá, passou a importar pobres. De uma cidade desenvolvimentista, passamos para cidade assistenciadora.
Semanalmente, aterrissam em BH 160 haitianos, os prováveis moradores do futuro bairro popular a ser instalado no ex-aeroporto Carlos Prates.
Antes, ali trabalhavam 800 profissionais qualificados em manutenção e pilotagem aérea.
Por conta disso, a EVE — empresa fabricante do “carro voador” da EMBRAER — foi embora de BH.
O futuro de BH é incerto e angustiante.
A Praça 7, marco da cidade, está completamente abandonada.
Parabéns, Jorge pelo artigo!
Temos que sugerir ao prefeito que circule pelo anel para ver como está caótico o trânsito, as placas instaladas pela prefeitura anunciando que “O anel é nosso” já foram retiradas, pura política, o povo evoluiu e não engole mais esse tipo de política; Sem falar da vergonha em transitar pelas avenidas e pelo centro da cidade.
Agradeço a oportunidade.
Imagino haver uma “mistureba” decorrente do jornal O Tempo ter nascido como mídia impressa, o que o associa à leitura, e BH, cidade hoje “ofensiva” ao olfato.
Daí talvez o “li” (leitura), associado às fezes, tenha culminado em “felizes”.
Dependendo de onde se passa, BH é um banheiro a céu aberto, em menor ou maior grau. A av. dos Andradas tem trechos irrespiráveis.
Com a agravante de obras que se arrastam (a “praça do Papa” é um exemplo).
Mas reconheço: dentro de gabinetes o perfume deve ser maravilhoso!
Sem contar que “passar”, “trafegar” e termos afins são outra “preocupação cidadã”.
Salve BH!
Do verbo salvar!
Gente, morei 23 anos em belo horizonte. os melhores 23 anos da minha vida. Quando cheguei, dia 24 de maio de 1980, fugido dos tiroteios cariocas, todo mundo me acolheu como se tivesse chegado de Crucilândia, ou Ouro Branco. Se tivesse que citar todo mundo, cês me esculhambariam. Aí, desse todo mundo vou citar apenas três. O primeiro, Oswaldo França Júnior, uma do meio, Maria Banca de Paula, e o último, saidinho dos corredores da Fafi, Jorge Fernando dos Santos. Gente, por favor, deixa ou morrer ainda embalado no sonho das minhas madrugadas Berzontinnas.
Concordo plenamente! Ótimas observações!! Os cortes são feitos exatamente de onde são necessárias mudanças para melhor atender a população! Infelizmente a busca por poder e cargos, para nossos políticos são mais importantes . As eleições estão aí, torço que candidatos comprometidos surjam! Será ?
Jorge, a sua matéria aborda os problemas da nossa Belo Horizonte de forma clara e contundente. Em pleno século XXI ainda vemos a política pública do início século XX sem trazer os benefícios que todos sabem ser necessários , mas a administração pública do prefeito é sua equipe ainda atua com ações que não resolvem os problemas apontados por você.
Parabéns pela matéria.
Um forte abraço
A cidade perdeu a graça e o horizonte. Na decada de 60 e 70 a noite em BH era movimentada e alegre. Em cada esquina se encontrava um amigo. Agora em cada esquina encontramos a sujeira o abandono e o perigo. São poucos os lugares ao ar livre , onde passar ou passear à noite, com segurança . Restaram os lugares fechados como shoppings , teatros e cinemas.
A administração está escondida e esquecida em algum buraco.
Dizem que a prefeitura está endividada. Mas não acredito nisso. Pagamos muitos impostos ( IPTU caríssimos eu que o diga). Aqui em Contagem também não é diferente. Mesmo porque a prefeita distribuiu barracas para moradores de rua. Em vez de tirar os moradores, ela acaba incentivando de alguma forma. O lixo na rua. E os moradores não ajudam. Andando pelo meu bairro a gente vê muita sujeira. As pessoas não cooperam, acham normal jogar qualquer tipo de lixo na esquina. É por essa e outras que cada vez mais tenho vontade de mudar para um lugar onde eu possa ver menos isso. E a poluição sonora? Motos barulhentas, carros com som alto. Não é fácil conviver com isso tudo.
Olá, Jorge.
Perfeito comentário.
Fora a supressão do Kit literário para as escolas, no ano que vem.
Periga até pra esse ano, apesar de já ter publicado no Diário Oficial.
Cultura, pra esse povo, não vale nada.
Precisa urgente um Mutirão de limpeza na cidade,
Uma geral por toda cidade
SLU ,vSus cap tem de trabalhar muito obrigado
Oi Jorge fiz um passeio de bike pelo bairro São Cristóvão e Bomfim e só posso endossar seu artigo.
Aqui na Nova Suíça a coisa não está boa tbem.
Até uma pequena cracolandia.
Ufa.
Bravo amigo Vecchio,
De “Belo Horizonte” só temos ainda o pôr do sol, que independente é administrado por Deus!!!!
Parabéns pelo artigo.
Grande abraço
Documentário justo. Concordo plenamente.
Belo Horizonte está cada dia mais aterrorizante.