Obsessão

Depois de sair do cinema, Eugênio sentou-se num banco da praça, de frente para a fonte luminosa. Fazia calor e ele se pôs a contemplar o espetáculo das águas coloridas, curtindo a noite e se refrescando na brisa. Após alguns minutos, sacou do bolso o celular e ligou para Stela. Ela havia ficado em casa, trabalhando na tese de doutorado que estava escrevendo sobre história da arte.

– Oi – disse ela ao atender.
– Tudo bem, meu amor?
– Agarrada nos livros, como sempre. E você, onde está?
– Acabo de sair do cinema.
– Que filme foi ver?
– Uma comédia com Ricardo Darin, no Festival de Cinema Argentino.
– Qual o nome?
– “Relatos selvagens”… Acho que você ia gostar.
– Sei… E que barulho é esse?
– Barulho? Deve ser a fonte luminosa?
– Fonte luminosa?
– É, estou sentado num banco da praça, de frente pra ela.
– Você deve pensar que eu sou retardada.
– Como assim?
– Foi ao motel com uma vadia e inventou essa história de cinema, não é?
– Que é isso, Stelinha?
– Stelinha é o cacete. Como ousa me telefonar da banheira de hidromassagem?
– Eu jamais faria isso. Jamais ligaria pra você da hidromassagem.
– Então, quando não liga, é porque está mesmo na banheira com a vadia?
– Claro que não, meu bem, olha o estresse!
– Você me deixa estudando em casa, vai se divertir com outra e não quer que eu fique estressada?
– Não estou com ninguém, deixa disso! Eu te convidei pra sair, mas você não quis.
– Você não me engana mais.
– Mas eu nunca te enganei, Stela.
– Estou cansada, Eugênio. Perdi a confiança em você.
– Deixa disso, meu amor!
– Estou farta das suas traições, das suas mentiras. Não suporto mais tudo isso.
– Quer saber? Eu é que estou farto do seu ciúme patológico.
– Ciúme patológico? Você por acaso é psicólogo pra fazer um diagnóstico desse? Quer saber? Vai à merda…

Stela desligou. Eugênio ficou revoltado e resolveu provar a inocência. Dirigiu-se a uma jovem que tirava fotos da praça. Entregou a ela o celular e pediu-lhe para filmá-lo por alguns segundos, sentado no banco de costas para a fonte luminosa. Em seguida, enviou as imagens para Stela. Não demorou muito, ela ligou de volta.

– Eugênio?
– Oi, meu bem, tá mais calma agora?
– Pensa que eu sou mesmo uma tonta, não é? Uma completa idiota.
– Como assim?
– Acha que vou acreditar nisso? Quem fez essas imagens?
– Pedi a uma jovem pra gravar.
– E ela por acaso é a vadia que você levou ao motel?
– Claro que não! Ela é só uma adolescente.
– Você agora é pedófilo, Eugênio?
– Para com isso, Stela. Não levei ninguém ao motel.
– E por que não fez um self, não seria mais simples? Vou fingir que acredito e que sou retardada.
– Pois pode acreditar. Eu sou fiel e nunca menti pra você.
– Pois essa é mais uma prova da sua infidelidade.
– Como assim?
– Se fosse inocente, não daria tantas explicações. Não teria me enviado essas imagens como prova de fidelidade.
– Pelo amor de Deus, Stelinha… Alô, Stela!… Alô, alô…


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Regina Duarte: a “namoradinha do Brasil” celebra 50 anos de carreira | Sem Censura | TV Brasil | Notícias

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