Polícia para quem precisa de polícia

Enquanto o atentado terrorista contra a redação do tabloide satírico Charlie Hebdo, em Paris, repercute em todo o mundo, eu me pergunto qual teria sido a reação da mídia e do público se a tragédia tivesse ocorrido no Brasil. Recentemente, a ONU divulgou que 10% dos assassinatos cometidos no planeta ocorrem por aqui. Apesar disso, a imprensa nacional noticiou a pesquisa sem manifestar indignação, como se a morte de centenas de pessoas ocorridas semanalmente no país fosse mera rotina.

As ruas de nossas cidades vão pouco a pouco se transformando em redutos de bêbados e craqueiros, gente exposta à violência e disposta a praticá-la por qualquer trocado. O vício pelas drogas é uma das molas da criminalidade. Não bastasse isso, o crime organizado tomou conta da cena política, que está repleta de corruptos e aproveitadores sob total impunidade – dando-nos a impressão de que no Brasil o crime compensa.

Depois dos protestos ocorridos em 2013, a opinião pública nacional se mostra novamente incapaz de se organizar para reverter o quadro de injustiças e desrespeitos sociais. Quanto mais se prega o politicamente correto, mais o país se mostra incorreto politicamente. Por sua vez, a imprensa se limita a faturar na audiência e nossas autoridades cruzam os braços diante da calamidade.

Muitos apontam a pobreza como principal fator de motivação para o crime. Se assim fosse, não haveria gente de bem nos bolsões de miséria nem bandidos nas classes dominantes. A miséria é uma ignomínia, não resta dúvida, mas certamente uma das molas propulsoras da violência é a desigualdade explícita. Nas grandes cidades, condomínios de luxo afrontam favelas e isso amplia o fosso que separa ricos e pobres. Por outro lado, o consumismo exacerbado estimula o “vale tudo” pela sobrevivência.

Enquanto os cientistas sociais discutem as origens do problema, nossas autoridades simplesmente o ignoram. No Brasil, os políticos vivem noutro mundo. Não andam de ônibus nem a pé pelas ruas, mas em automóveis blindados pagos com o dinheiro do contribuinte. Por sua vez, os comandos de polícia alegam dificuldades para manter a lei e a ordem. Má formação, péssimos salários, corrupção e impunidade rondam quartéis e delegacias.

Quem vive em Belo Horizonte sabe que também por aqui a situação vai se agravando a olhos vistos. Se a PM reforça a segurança no Centro da cidade, os bandidos fogem para os bairros. Se os bairros são guarnecidos, eles voltam a atacar no Centro. O policiamento não é ostensivo e a insegurança é a única certeza do cidadão comum.

Ainda ontem minha filha me disse que está alarmada com o aumento da criminalidade no Caiçara, onde morei ao longo de 50 anos. O número de assaltos ao comércio e a residências do bairro tem crescido principalmente devido à falta de policiamento na região, que dispõe de várias rotas de fuga. A ação dos criminosos tem tirado o sono de muita gente também noutros bairros. O policiamento se mostra insuficiente. Contudo, durante a Copa do Mundo, a segurança na capital foi reforçada e isso baixou os índices de violência. Passada a festa, voltamos à alarmante realidade.

Alguns defendem a desmilitarização das PMs, mas penso que deveríamos melhorar a formação da tropa, aumentar os efetivos e investir pesado na segurança preventiva, como ocorre nos países do Primeiro Mundo. Enquanto isso, os defensores dos direitos humanos deveriam zelar também pelos direitos daqueles que trabalham honestamente e pagam seus impostos em dia.

Artigo publicado no Hoje em Dia e no Dom Total

Este post tem um comentário

  1. Olá Jorge

    É sempre bom ler os seus artigos , escritos com espírito cívico e de peito aberto . Continue com essa coragem !

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