Choro Cantado


Surgido em meados do século 19, no Rio de Janeiro, sob forte influência da polca, o choro se tornou o principal gênero instrumental da música brasileira. Com excelentes melodias valorizadas pela performance de grandes instrumentistas, alguns clássicos do gênero também ganhariam letras assinadas por grandes poetas como Vinicius de Moraes, co-autor de Odeon (de Ernesto Nazareth), e João de Barro, letrista de Carinhoso (de Pixinguinha). A proposta do projeto Choro Cantado foi justamente registrar e resgatar choros que se destacam também pelas letras. Foram selecionadas 10 composições para integrar o CD, algumas históricas e outras inéditas, com o objetivo de unir música e letra com precisão, valorizando a poesia e a interpretação vocal de Lígia Jacques. Gravado em 2009 na Fábrica de Música, com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte, o disco é dedicado a Ademilde Fonseca, a rainha do choro. Os arranjos e a direção musical são de Rogério Leonel, que também toca os violões. A direção artística coube a Jairo de Lara, flautista e saxofonista em várias faixas. Tocam no disco Milton Ramos (contrabaixo acústico) e Serginho Silva (percussões). A produção executiva coube a Tião Rodrigues, a arte a Adriano Alves e as gravações, ao Jairo e Eloísio Oliveira.


Repertório

Água de Moringa (Valter Braga e Jorge Fernando dos Santos)
Odeon (Ernesto Nazareth, Hubaldo e Vinicius de Moraes)
Domingueiro (Valter Braga e Jorge Fernando dos Santos), participação especial: Celso Adolfo - voz
Ingênuo (Pixinguinha, Benedito Lacerda e Paulo César Pinheiro)
Romanceando (Valter Braga e Jorge Fernando dos Santos)
Pedacinhos do Céu (Waldir Azevedo e Miguel Lima), participação especial: Ausier Vinícius - cavaquinho
Choro Barroco (Rogério Leonel e Jorge Fernando dos Santos)
Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu e Eurico Barreiros)
Satan (Chiquinha Gonzaga e Jorge Fernando dos Santos), participação especial: Hudson Brasil - bandolim
Títulos de Nobreza - Ademilde no Choro (João Bosco e Aldir Blanc)


                                                   

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Romanceando

(Valter Braga e Jorge Fernando dos Santos)

Se a vida fosse um romance de Camus
Nosso pas-de-deux seria ao som de Bach
Ideal talvez uma pintura de Dali
Perto da TV no nosso shangri-lá

Fellini faria a direção de ator
Se a poesia fosse a de Drummond
E na trilha escuto aquele tango
Piazzolla e seu bandoneon
Quero ver um filme no Odeon:
Bela da Tarde

Mas o tempo faz um folhetim banal
Comédia de erros não ganha o Nobel
Se a vida fosse um romance
Nosso amor seria de papel