Canções Inéditas


DEVOÇÃO
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga

MEU CARO AUSIER
(Valter Braga),
com Valter Braga

O PACTO
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga

VIDA DE CANTOR
(Zécarlos Lássi/Jorge Fernando dos Santos),
com Zécarlos Lássi

 




VIDA DE CANTOR
(Zécarlos Lássi/Jorge Fernando dos Santos),
com Zécarlos Lássi
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Na solidão de um samba triste
Sei que a ilusão ainda resiste
Em cada acorde junto ao peito
Meu violão insatisfeito fala coisas do amor

Toda canção que eu canto alegre
Tem no refrão, embora eu negue,
Em cada nota o mesmo traço
Bem no compasso da paixão

Vida de cantor é falar de dor e amor
Talvez chorar por alguém que partiu
Seja lá como for
Eu canto esse meu canto, um canto triste
Que ninguém jamais ouviu, viu?

Meu coração fica mais leve
Quando a canção enfim descreve
Em cada verso uma esperança
De encontrar um novo amor
De conquistar um novo amor...

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DEVOÇÃO
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga

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Eu fui à Penha pagar a promessa de amor que fiz
Beijei a fita, acendi uma vela lá na matriz
Rezei um terço ajoelhado no altar
Nunca mais nesta vida


Quero me apaixonar
Dia de festa, na procissão, carreguei o andor
Olhei a santa com devoção, mas senti pavor
O seu semblante me fez lembrar a mulher
A bandida que eu amo
Que tanto me faz padecer

Paixão assim só pode ser transa de ebó
É coisa feita feitiço de catimbó
Rogai, ó senhora!
A dor me apavora…

(Eu fui à Penha para rezar)

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MEU CARO AUSIER*
(Valter Braga)

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O frango com quiabo
Que você nos prometeu
E não saiu
Que a culpa foi do Paulo
Que foi primeiro de abril...
- Desculpas mil -
Me veio agora na memória, Ausier
Pois é, fazer o quê?
Escorregaste e ficamos sem cocó
(Só com a cara de bocó)

Mulher é o diabo
E, quando quer, faz do rapaz um zé-mané
E a moça do prezado
Não deixou que ele fosse ao fuzuê
Não é só o Paulo que tem boca, Ausier!
Você fincou o pé
E não é legal deixar a turma na pior
(Teve um ali que desmaiou)

O estrambo na cacunda
Cadê sua panela funda, Ausier?
O ronco que retumba
Não é choro de cuíca

A dica que te dou é ligar
Nos convidando pr’outro jantar
Ou pode ser almoço
Que a galera vai gostar

* Letra publicada no livro Caiçara

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O PACTO
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga

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Noite, alta madrugada
Vai um vulto pela estrada
O cruzeiro, a encruzilhada
Uma luz a lumiar: luarão
No chocalho da serpente
Vibram notas num repente
A viola é (a)parente
Alaúde, violão
Rezou a reza
A presa ilesa do amor

Diamante é pedra rara
Bem difícil de encontrar
Violeiro se compara
A garimpeiro a garimpar
E vai sim...

Na fumaça, o roseano
Rio abaixo, o oceano
Uiva um lobisomem insano
Corpo e alma a se perder: é o cão!
O tinhoso pactua
Galo canta, o homem sua
“Vade-retro”, ele flutua
Abre as asas, o azarão
Pisou na brasa
A brisa suaviza a dor

Diamante é pedra rara
Bem difícil de encontrar
Violeiro se compara
A lapidário a lapidar
E cai sim...

Quando o dia amanhece
O virtuose já esquece
Mas o acordo não fenece
Cumpre a sina o pecador
Melo...dia e noite na poesia
Um escravo canta a dor

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